Todo mundo que conhece o campo das artes, mesmo que "por cima", sabe o quanto é importante a Bienal, e como trás diversos artistas de todas as partes do mundo, trazendo diversas formas de pensar, de se expressar sobre um mesmo tema. Acontece que as expectativas criadas para a 9ª Bienal foram mais altas do que o seu resultado — que foi realmente pouco satisfatório. Pelo menos até agora (depois que já encerrou), não vi ninguém defendendo a Bienal (tanto conhecedores de arte quanto leigos).
Mas para não ficar parecendo muito "reclamões-sem-argumentos" trazemos aqui alguns tópicos para justificar os pontos negativos da bienal de 2013:
- Obras não auto-explicativas
Nossa visita começou pelo MARGS, e, logo que entramos nos deparamos com a primeira obra. Era uma obra de grande porte, confeccionada com caixas de papelão (não aquelas que tu acha num supermercado, e sim feita sob medida, cortada de forma triangular). Olhamos um pouco ela, entramos (como pode-se ver na primeira imagem), andamos dentro dela e percebemos que seria impossível entendermos sem a ajuda de um mediador (já que não havíamos achado as plaquinhas que explicam a obra ).
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| "O que dizer sobre essa obra, que mal conheço, e já considero pakas?" |
Chamamos um mediador que estava ali por perto parado. Perguntamos sobre a obra e ele respondeu sendo muito simpático conosco, respondia a todas as perguntas que fazíamos de modo claro e nos mediou durante toda nossa trajetória pelo MARGS. Não sei até que ponto isso pode ser considerado positivo, aliás, precisamos da ajuda de um mediador. Não tivemos escolha. As plaquinhas estavam distantes e a obra não era, assim como todas as outras dessa edição da Bienal, auto-explicativas. Não podíamos tirar nossas próprias conclusões, pois as obras não davam abertura para tal. Quando estávamos saindo rumo às outras obras, percebemos o quanto o espaço daquela obra enorme foi mal aproveitado. Sobraram as quatro paredes ao redor dela vazias, sem nada mais a conversar, acrescentar àquela escultura.
- Problemas nas obras
Não foi nem preciso sair do MARGS para perceber o como algumas obras não estavam funcionando como desejado. Subimos um andar e percebemos uma obra barulhenta (a obra da foto abaixo). Ela continha espelhos que formavam um "labirinto invisível", que se você errasse o caminho, disparava um som (diga-se de passagem, irritante). A idéia inicial da obra, era que tivesse um peixinho (vindo do país do autor desta), que, quando a pessoa errasse o caminho do labirinto para chegar ao aquário dispararia o alarme, que faria com que o peixinho se contorcesse e andasse loucamente pelo aquário. A ideia era que as pessoas ficassem entre chegar no peixinho e não fazer ele sofrer. Mas primeiro o peixinho daquele país não foi aceito aqui, e, depois disso, quando substituíram por um peixe brasileiro, não deu uma semana e denunciaram (e claro, tiraram ele de lá). Então agora a obra é basicamente um labirinto invisível que faz barulhos quando erra o caminho. E como se isso não bastasse, no dia em que fomos ver esta obra, deu problema nela e ela não parava mais de apitar (fosse passando pelo caminho errado ou nem chegando perto dela).

- Problemas além das obras
Não foram somente as obras que deram problemas nessa Bienal. Desde o inicio do evento houve vários problemas que a equipe de mediadores enfrentaram em relação a organização. Tudo se deu desde o inicio quando houve relato do grupo de mediadores se tratando de um jantar oferecido no MARGS para a arrecadação de fundos para a aquisição de obras de arte. Foram acesas velas em uma mesa localizada do lado da obra feita por papelão, a organização do jantar iniciou antes do fechamento do museu, sabendo que ainda o local estava aberto para a visitação e os mediadores em horário de trabalho. Além disso, alguns mediadores relataram que um espaço da exposição foi transformado em fumódromo durante o jantar.
Outro fato que deixaram os mediadores indignados foi quando certas pessoas conseguiram acesso privilegiado a uma performance artística que ocorreu no Santander cultural, foi solicitado ao público que chegassem cedo ao local porque havia número limitado de lugares mas somente algumas pessoas puderam assistir onde a equipe anunciou que elas estavam em uma lista até então desconhecida pelo público quanto pelos mediadores que aguardavam no local em uma fila formada conforme a ordem de chegada, dizem eles que esta lista cabiam pessoas com condições de status e privilégios e próximas aos organizadores da Bienal.
No último dia da Bienal, 10 de novembro de 2013, os mediadores paralisaram as atividades e protestaram contra as atitudes dos organizadores da Bienal. O evento então lançou uma nota relatando que em relação as manifestações, eles respeitam as manifestações e o direito de expressão e que estariam a disposição para dialogar em algum momento e que entende a importância dos mediadores para acontecer uma Bienal
- Poucas Obras

Quando pensamos em bienal, logo nos vem a imagem de uma exposição de grande porte, muito rica e marcante. Mas na edição deste ano não foi o que encontramos por lá.
Ao sairmos da bienal, os integrantes do grupo fizeram o mesmo questionamento: a quantidade de obras estava muito baixa.
Aquela ideia de exposição grande se perdeu, pois, apesar de utilizar grandes espaços, a bienal tava mal organizada, e mal distribuída, o que acabava dando espaço demais para pequenas obras, e tirando o lugar de outras obras que também podiam ter sido inseridas.
Outra impressão muito marcante de quando saímos de lá foi sobre o tempo em que levamos para ver todas as obras. É meio bobo avaliar uma exposição pela quantidade de obras, mas a qualidade das obras não estava boa, além do mau funcionamento.
No dia em que fomos, levamos menos de uma hora para ver todas as obras, contando com os vídeos que estavam sendo exibidos. Isso é muito pouco pra uma exposição desse porte, e nesse tempo curto, fomos no MARGS, Memorial e no Santander.
Mas na verdade, não demoramos tão pouco pela quantidade somente, porque se tem poucas obras que fazem sentido e que chamem bastante atenção, as pessoas ficam durante um tempo maior contemplando, mas infelizmente não foi o que encontramos lá.


